Entrevista
BJRS - Um periódico científico referência para profissionais ligados às radiações ionizantes
A nossa Newsletter trará mensalmente entrevistas nas diferentes áreas de interesse para os radioprotecionistas. Este mês entrevistamos o Dr. Alfredo Lopes Ferreira Filhos, membro da diretoria da SBPR, Secretário Regional do Rio de Janeiro. Conheça a história da BJRS, suas conquistas e ações empreendidas para estarmos sempre à frente, diante dos novos desafios.
DENISE LEVY: Dr. Alfredo, a BJRS foi criada durante a sua gestão enquanto presidente da SBPR. Conte-nos um pouco desta história.
ALFREDO LOPES FERREIRA FILHO: Quando em 2001, atuei, juntamente com o Professor Clovis Hazin, como chairperson do Comitê Científico do V IRPA Regional Congress, organizado pela SBPR em Recife, senti a necessidade de tornar perene os artigos científicos publicados digitalmente nos anais do evento. O trabalho de revisão por pares implicava em grande esforço do Comitê Científico e só o sistema DOI (digital object identifier), criado em 1998, identificando internacionalmente artigos científicos, permitiria torná-los permanentes e difundidos no novo mundo acadêmico. Em 2012, quando o sistema DOI foi adotado pela ISO, eu ocupava a presidência da SBPR e, com a colaboração de dois eminentes pesquisadores, Dr. Eudice Vilela e Dr. Fernando de Andrade Lima, da então Divisão de Radioproteção e Dosimetria do Centro Regional de Ciências Nucleares que eu chefiava em Recife, contratamos pela SBPR, como estagiário, o aluno Wellington Gomes de Andrade, especialista no software de acesso aberto OJS/PKP, e criamos o Brazilian Journal of Radiation Sciences http://www.bjrs.org.br/, visando à publicação dos artigos científicos do IX IRPA Regional Congress, que íamos realizar no Rio de Janeiro em 2013. Desde então, além dos números regulares com artigos de pesquisas originais, avaliados por pares e não divulgadas em outros periódicos, a revista tem publicado artigos selecionados apresentados em diversos congressos e eventos científicos na área das radiações e na área nuclear, como o INAC (ENIN e ENFIR), o CBMRI, as Conferências RADIO promovidas pela SBPR, pela ABENDI e pela SPPCR (os Congressos de Proteção Contra Radiações da Comunidade de Países de Língua Portuguesa), o Simposio Latinoamericano de Radón promovido pela SBPR e pela FRALC em Poços de Caldas, a “Week of Nuclear Engineering and Radiation Sciences”, o Simposio Internacional sobre Protección Radiológica en Medicina de Arequipa (Peru) e, o recente “First Latin American Congress on Solid State Dosimetry and Radiation Measurement" http://lassd2021.com.br/
DENISE LEVY: Dr. Alfredo, além da internacionalização do periódico, quais as conquistas da BJRS ao longo de todos esses anos?
ALFREDO LOPES FERREIRA FILHO: O BJRS, desde sua criação em 2013, possui número ISSN: 2319-0612. A SBPR é membro do Crossref, atribuindo DOIs (Digital Object Identifier) para todo o conteúdo publicado na BJRS. A publicação do periódico foi uma iniciativa fundamental para marcar o caráter científico da SBPR que logo passou a integrar a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). As revistas científicas tornaram-se muito importantes para diversos Programas de Pós Graduação na área nuclear e das radiações ionizantes, sobretudo. A publicação de resultados de pesquisa em periódicos científicos tornou-se requisito preliminar para a Defesa de Dissertações e Teses em diversos programas avaliados pela CAPES. Paulatinamente, a BJRS passou a classificação A2 na área interdisciplinar do QUALIS PERIÓDICO da CAPES. O mais importante foi a continuidade do periódico publicado regularmente desde 2013 por conta do esforço dos Professores Bernardo Dantas e Fernando de Andrade Lima, ambos membros do Conselho Deliberativo da SBPR. Contando com um corpo editorial de projeção internacional, o BJRS é indexado a um dos sistemas internacionais mais relevantes e reconhecidos pela comunidade científica nuclear, o International Nuclear Information System (INIS) / IAEA. Além de possuir a classificação A2, a segunda melhor, no Qualis-Periódico da CAPES na área interdisciplinar, a revista também é indexada na REDIB e no Google Scholar, além do antigo ISI (Thomson Reuters). E ultimando ajustes para o DOAJ - Directory of Open Access Journals. Uma grande conquista, após diversas tentativas, foi concluirmos a migração do OJS para a versão mais atual: OJS-3.3.0-8.
DENISE LEVY: Dr. Alfredo, você é novamente editor-chefe do periódico e está trabalhando fortemente para o fortalecimento da BJRS. Quais as ações tomadas e o que o senhor espera para um futuro próximo?
ALFREDO LOPES FERREIRA FILHO: Depois de um período afastado por conta de meu Doutorado na COPPE/UFRJ entre 2016 e 2018, ao retornar, senti a necessidade de melhorar a indexação do periódico nas bases de dados internacionais mais importantes (SCOPUS e WoS), sobretudo por conta da unificação da classificação dos diferentes comitês de avaliação, pretendida pela CAPES. Cada periódico possuirá apenas uma classificação no novo QUALIS, o que obriga o sistema a tomar como base para a avaliação unificada os critérios adotados fora do país por empresas privadas. Para enfrentar os novos desafios, a SBPR tornou-se membro da Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC). Paralelamente, eu, o Presidente Josilto de Aquino, o colega Regio dos Santos Gomes, da Secretaria de Publicação Científica da SBPR, e os professores Bernardo Dantas, Fernando Araujo, José Guilherme Peixoto, José Marcus Godoy e José Ubiratan Delgado estamos na expectativa de termos aprovado um projeto submetido à FAPERJ, no âmbito do Programa de Apoio à Publicação de Periódicos Científicos. Sendo uma revista de acesso aberto, sem cobrança de taxas para publicação, os elevados custos são inteiramente bancados pela SBPR. Quase tudo é mantido praticamente por trabalho voluntário, especialmente dos editores e dos revisores.